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Mostrando postagens de Julho, 2017

A religiosidade clandestina de Hermann Hesse

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Por Rafael Kafka


Há uma carta de Mário Andrade que circula pela internet que é bem interessante para servir de mote a esse texto. O destinatário da missiva é outro escritor brasileiro célebre, Carlos Drummond de Andrade, conhecido por seu temperamento taciturno e extremamente reservado. O assunto central da carta, dentre outros de menor importância, é o sentimento de religiosidade perante a vida. Mas Mário faz questão de falar ao amigo que tal religiosidade não é a veneração cega de alguma entidade qualquer e sim a existência plena em todas as suas possibilidades, o permitir-se a expansão sensorial e intelectual em todas as direções possíveis desta existência.
O sentido de tal assertiva se torna ainda mais pleno quando entendemos que a religiosidade como geralmente a entendemos vivida por espíritos conservadores é uma limitadora das possibilidades humanas. Em prol de uma salvação póstuma, o ser deve abrir mão de uma série de vivências pessoais para ser aceito em uma realidade superior…

Romances de Patrick Melrose (vol. 2), de Edward St. Aubyn

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Por Pedro Fernandes


Não importa o que se faça dessa vida. Se dediquemos a gastar cada minuto do tempo entre o ócio ou o trabalho exacerbado de construir uma eternidade, isto é, se aproveitemos ou não à maneira que nos for conveniente, sobretudo, se nos for dada a sorte de nos sobressair de todos os empecilhos que se mostram desde quando não passamos de uma vaga ideia na cabeça de um casal que gostaria de seguir o curso natural da existência com a reprodução. Nada importa. O fim é sempre o mesmo. Ninguém escapa à passagem inexorável do tempo, essa lâmina que corrói vagarosamente ou não a vida. 
Se são diversas as maneiras como transcorrem as vidas de cada um, e se o romance é, desde sua gênese, uma espécie de sismógrafo dessas diversidades individuais, por mais que o fim seja sempre o mesmo, não tem faltado exercícios que buscam observar de maneira igualmente diversa esse fluir da vida. E se, em algum momento, a crítica julgou sepultado esse interesse do romance, principalmente desde q…

Elvira Vigna, para sempre

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Por Pedro Fernandes


Em texto sobre O que deu para fazer em matéria de história de amor, Alfredo Monte lembra que Elvira Vigna “vem construindo uma marcante obra como romancista desde o final dos anos 1980, um universo áspero e cáustico, no interior do qual as protagonistas (daí o uso feroz de uma primeira pessoa muito peculiar, inconfundível, na narrativa)”. 
No último dia 10 de julho, os leitores que, desde então, ou muito recentemente, acompanhavam essa trajetória singular foram surpreendidos com a notícia sobre a morte da escritora. Apesar da intervenção da natureza que colocou um ponto final no que demonstrava ainda que renderia muitos frutos para a nossa tão frágil literatura, é possível dizer, ante os romances que nos deixou, que a obra de Elvira Vigna encontra-se entre aquelas das quais não é possível deixar de citar quando historicamente formos nos referir a esse período que cobre três décadas, a contar do ponto de partida assinalado por Alfredo Monte. Sobre as encruzilhadas d…

Fama e preconceito

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Por Andrea Aguilar


Cabe pensar que a única “verdade universalmente reconhecida” em torno de Jane Austen quase começa e termina na famosa frase com que inicia seu romance Orgulho e preconceito, aquela irrefutável suposição de que “um sozinho com dinheiro deve estar buscando uma esposa”. Em 18 de julho cumpre-se o bicentenário da morte da autora britânica aos 41 anos, uma romancista cuja fama póstuma e dedicados seguidores a converteram numa espécie de estrela de rock literária, um ícone cultural que desperta grandes paixões. 
Seus devotos leitores desenvolvem com ela uma peculiar intimidade e sentem um estranho esnobismo ou direito de propriedade que poderia resumir-se num “não toquem em minha Jane” ou “esse bando de fãs cafonas realmente não entendem sua obra”. O inflamado debate sobre a “leitura correta” de sua obra, sua popularidade ou transformação num produto pop e equivocadamente superficial, é algo tão clássico com os trajes de corte imperial usados por suas heroínas nas diversa…

O Bovarismo como pedra de toque na obra de Lima Barreto

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Por Alexandre Rosa

Ainda como estudante da Escola Politécnica, Lima Barreto iniciou sua carreira literária escrevendo para a revista humorística Tagarela, criada em 1902, pelos caricaturistas Calixto Cordeiro e Raul Pederneiras. São textos importantíssimos para a compreensão ulterior de sua obra, na medida em que já podemos observar a prosa crítica e afiada do autor, dirigida para alguns temas que se tornariam constantes em sua produção.1
No texto "Vendo a Brigada stegomya" (Toda crônica, vol. 1), encontramos um procedimento muito peculiar à escrita barretiana, qual seja: uma espécie de estilo ensaístico, que serve de preâmbulo antes de o autor adentrar na problemática em si. Neste caso, estamos nos referindo aos comentários acerca dos “Batalhões” e “Brigadas” que se formaram para combater o mosquito da febre amarela no Rio de Janeiro do início do século XX.
As considerações prévias marcam a posição do escritor e o modo como interpretará o fenômeno a ser analisado, conforme …

Boletim Letras 360º #227

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Aqui está a mais recente postagem que todo sábado reúne as informações que divulgamos na página do Letras no Facebook. Antes de passar as notícias, queremos lembrá-los sobre o sorteio da tetralogia napolitana, da Elena Ferrante (Globo Livros / Biblioteca Azul) que será realizado dia 30 de julho no Instagram do Letras. Recado dado, vamos, então, ao que circulou entre os leitores de nossa cidade literária.



Segunda-feira, 10/07
>>> Brasil: Chega-nos A coisa mais próxima da vida, de James Wood
O livro fazia parte do espólio da Cosac Naify e não chegou a ser publicado. Agora, a edição sai pela Sesi-SP Editora. No livro, o crítico da revista New Yorker trata das relações entre a literatura e a vida, passando por obras como O beijo, de Tchékhov, e Os emigrantes, de W.G. Sebald. A mesma casa reapresenta Como funciona a ficção, também do autor e editada pela extinta casa editorial. Wood é considerado um dos principais críticos literários estadunidenses.
>>> Brasil: Morreu Elvi…