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Três possibilidades sobre a Literatura Gay

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Por Luisgé Martín


Em 1897, Oscar Wilde escreveu na prisão de Reading uma extensa carta para seu amor Lord Alfred Douglas, Bosie, reconstruindo a atormentada relação que haviam mantido e que findou com o célebre julgamento no qual o escritor foi condenado a trabalhos forçados por “conduta indecente e sodomia”. Essa carta, publicada em partes pelos herdeiros pela primeira vez em 1905 com o título de De profundis, constitui de algum modo a pedra fundamental da literatura gay moderna, essa literatura que fala sobre “o amor que não se atreve a dizer seu nome”, como proclamava um verso do próprio Bosie.
Esse amor continuou sem atrever-se a dizer seu nome durante muito tempo. Thomas Mann ocultou o amor carnal entre Gustav von Aschenbach por Tadzio através de uma sublimação estética e espiritual. Konstantinos Kaváfis apenas permitiu que circulassem alguns de seus poemas em vida. E. M. Forster terminou de escrever Maurice, em 1914, mas não deixou publicá-lo se não depois de sua morte, em 1971.…